Artefacto interativo — 01 · Memórias do Futuro
Sanatório de Mont'alto
Catorze fragmentos fotográficos de uma ruína modernista, reimaginados por inteligência artificial generativa como um futuro possível e sustentável — com um boneco Panda como guia silencioso ao longo do percurso.
Pontos de interesse
Catorze cenas, catorze futuros possíveis
Toque numa cena para ver a sua sequência completa: a fotografia real do estado atual, o vídeo de transformação gerado por IA e a imagem final especulativa — sempre com o Panda como fio condutor entre o que foi e o que poderia ser.
Sobre o artefacto
Arqueologia especulativa
Projetado pelo arquiteto Júlio José de Brito, o Sanatório de Mont'alto começou a ser construído em 1932 e abriu portas em 1958 para o tratamento de tuberculose, com estruturas autossuficientes — capela, escola, lavandaria. O rápido avanço da medicina tornou o modelo obsoleto: em 1975, apenas 17 anos depois, encerrou. Este artefacto não propõe um restauro físico, mas um exercício de "arqueologia especulativa" — usar a IA generativa para projetar futuros possíveis sobre a ruína, sem gastar um único tijolo.
As catorze cenas nascem de fotografias reais do local, selecionadas por significado arquitetónico, potencial narrativo, estética da decadência e ressonância simbólica. Cada uma foi transformada num diálogo iterativo entre artista e IA: um prompt gera uma imagem, o resultado é avaliado, o prompt é refinado, repete-se até equilibrar a visão artística com as idiossincrasias do modelo.
Metodologia
As imagens estáticas foram geradas na plataforma FLUX Playground e os vídeos de transição no Google Veo 2 "Fast", limitados a 8 segundos por exportação. Em pós-produção (iMovie), cada cena foi montada como uma sequência de ~20 segundos — imagem original, vídeo gerado, imagem final — repetida nas catorze transformações e compilada num filme contínuo de ~5 minutos.
Uma tensão assumida
A obra fala de sustentabilidade usando uma tecnologia com pegada ambiental real e pouco visível — treinar e correr estes modelos consome eletricidade e água em escala industrial. Em vez de esconder essa contradição ("Red AI" vs. "Green AI"), o artigo que sustenta este artefacto trata-a como parte do próprio objeto de estudo: a aura da obra desloca-se do ficheiro final para o processo — para o prompt, para a curadoria — e essa transparência é, também ela, uma forma de responsabilidade crítica.
Os dois filmes
Artefacto digital — gravação da navegação original, apresentada em tablet na capela do sanatório. Ver no YouTube ↗
Filme — montagem contínua das catorze transformações, cerca de 5 minutos. Ver no YouTube ↗
Créditos
Miguel Carlos Lima (Universidade Aberta) — conceção, fotografia e curadoria de prompts. Mirian Nogueira Tavares (Universidade do Algarve) e Luís Teixeira (Universidade Católica Portuguesa) — investigação e enquadramento teórico.
Lima, M. C., Tavares, M. N., & Teixeira, L. (2026). Memórias do Futuro - Um Diálogo com o Passado Sustentável. Proceedings of the 2025 12th International Conference on Digital and Interactive Arts: Media Art Cultures, Communities & Territories, Artigo 9, 1–9. https://doi.org/10.1145/3773699.3773715